Mais um natal. E foi por pouco, por muito pouco,
que não parei alguns minutos para refletir e, como nos anos anteriores,
escrever meu "texto de natal". Poderia dizer que é a minha nova vida
de mãe. Depois de 6 meses de licença, no início de novembro voltei com tudo ao
meu trabalho na UFMG. E, desde então, a vida tem sido ainda mais corrida. Mas
não. A loucura da "nova Carol" não é a culpada da minha demora (e
quase desistência) em escrever. Explico.
Como sempre, comecei a pensar no natal cedo. Tirei do armário todas as caixas
que guardavam os meus queridíssimos "souvenirs" natalinos! Logo que
comecei a colocá-los nos seus devidos lugares, faltaram pregos, ganchinhos,
etc. E eu deixei pra depois. Quase todo dia, olhava pra casa e pras coisinhas
de natal todas desorganizadas; o coração doía, a cabeça dizia "preciso
terminar" e mais um dia ia embora. Teve até um dia em que minha irmã que
mora em São Paulo me ligou. Recém-casada (4 meses, se não me engano) e cheia de
"novidade de vida", me contou toda animada que tinha conseguido
comprar seus primeiros enfeites de "casa de casal", repleta de idéias
originais e coisinhas bacanas pro seu primeiro natal casada. Contou também da
"ordem do mês": quem entrasse no carro, só poderia ouvir o disco com
as "melhores de natal" que meu cunhado, Osmar, tinha feito (amo
canções natalinas!). E lá no fundinho do coração, senti um aperto e uma
"santa inveja", uma vontade enorme de estar vivendo aquele clima de
dezembro que sempre curti e que, por algum motivo, não vivia nesse ano.
Eram 18h da última segunda-feira, dia 12, e percebi que faltavam apenas duas
semanas pro natal. Minha árvore mal tinha sido enfeitada. Tudo continuava fora
de lugar. E foi aí, nesse momento, que entendi que a desorganização era muito
maior que eu pensava. A casa "quase natalina" era só um reflexo do
que se passava dentro de mim. Me percebi fria, me acostumando com o que não se
pode acostumar. E que bom que chegou o natal! Porque ele sempre me lembra de
fazer o que passa desapercerbido ou o que adio o ano todo: fazer cartões
bonitos, estar verdadeiramente com quem amo, curtir pessoas que não vejo há
tempo, escrever para queridos, ter encontros com pessoas com as quais esbarrei
o ano todo e mal parava pra saber mais que um "bom dia".
Tá, eu sei. O Natal acabou se tornando comercial, blá, blá, blá. Mas não dá pra
negar que o natal sempre sinaliza algum lembrete e nos confronta com nossos sentimentos
e prioridades. Porque, no natal, a gente precisa estar em família.
Porque, no natal, a gente acaba sendo obrigado a comprar presentes pra quem nem
damos tanta atenção e a participar de confraternizações, amigos-ocultos,
festas, encontros, encontros, encontros. E é assim que Deus vai lapidando nosso
jeito de viver e vai nos reorganizando pro novo ano. O encontro, seja com o
outro ou com a gente mesmo, tem sempre um lado difícil. Mas é primordial para o
nosso crescimento e, acreditem, para a nossa real alegria.
É por isso que quero te desafiar a fazer diferente e descobrir, no natal, todas
as possibilidades de encontro que ele tem te dado. Vale a pena abrir mão
daquele silêncio que dura há anos entre você e aquele parente. Vale a pena
gastar um tempinho pra conhecer seu vizinho ou colega de trabalho. Vale a pena
fazer aquela sobremesa de família pra ceia e sentar-se com todos à mesa (pra
lembrar do gostinho bom de estar com quem ama). Vale a pena separar um tempinho
só pra saber mais desse tal Deus-Menino, Jesus. Vale a pena enfeitar a sala, a
cozinha, a varanda, o coração, mesmo que já seja quase dia 25. No fim, a gente
vai descobrir que esses encontros só trazem alegria pro viver!
Agradeço a Deus por esse marco, o natal. Marco maior do encontro mais bonito de
todos: Deus se fez homem pra poder se encontrar de novo comigo (mesmo que nas
minhas imperfeições e friezas) e pra que eu me reencontrasse (na bagunça do meu
coração).
Meu natal? Ah, pessoal! Eu desisti de desistir e já me mobilizei. Naquela segunda-feira,
mesmo que tarde da noite, eu arrumei a casa toda, coloquei cada enfeite em seu
lugar (agora só faltam as luzes da varanda - ainda não comprei os preguinhos,
acreditam? - e costurar a botinha da Marcela, que eu mesma bordei) e optei por
contar cada dia, aproveitando todos os seus detalhes. Os banhos na Marcela têm
sido mais divertidos, mesmo que mais demorados. Canto músicas de natal pra ela
todos os dias. Tento sorrir no trabalho quando as coisas parecem dar errado.
Ontem mesmo já deixei escritos quase todos os cartões. E eu acendo as luzes da
árvore todas as noites, mesmo que o Juninho não esteja em casa e a Marcela
dormindo; mesmo que seja só pra mim.
Porque, como já dizem muitos, a verdade é que sempre é hora de (re)começar...
e, como aprendi, de (re)encontrar.
Felizes encontros pra um Feliz Natal!
Carol Gualberto
Dez/2011